Complexo de Esclerose Tuberosa (CET)

O que é Complexo de Esclerose Tuberosa

O Complexo de Esclerose Tuberosa (CET) é uma doença multissistêmica, de herança autossômica dominante, causada por variantes patogênicas nos genes TSC1 ou TSC2.

 

Em aproximadamente 2/3 dos indivíduos, essas variantes surgem de novo, ou seja, sem histórico familiar.

 

Trata-se de uma doença rara, com prevalência estimada entre 1 a cada 6.000 a 1/10.000 nascidos vivos.

 

Devido ao comprometimento do sistema nervoso central, o CET pode estar associado ao atraso global do desenvolvimento, especialmente nos casos em que há epilepsia de início precoce e manifestações neuropsiquiátricas.

Manifestações Clínicas

As manifestações do CET podem ocorrer ao longo da vida e acometer diferentes órgãos e sistemas, incluindo:

Pele
Sistema nervoso central
Rins
Coração
Pulmões
Olhos (globo ocular)
Fígado
Sistema digestivo
Dentes e unhas

Sistema Nervoso Central

No sistema nervoso central, o CET pode se manifestar por meio de:

Critérios Diagnósticos

O diagnóstico do Complexo de Esclerose Tuberosa é baseado em critérios clínicos, classificados em critérios maiores e critérios menores, conforme consenso internacional (Northrup et al., depois de 2021).

Critérios Maiores

Critérios Menores

Interpretação Diagnóstica

Para o diagnóstico definitivo é necessário combinar dos critérios clínicos descritos acima:

 

  • Diagnóstico definitivo: presença de dois critérios maiores ou um critério maior e dois menores.
  • Diagnóstico provável: presença de um critério maior e um menor.
  • Diagnóstico possível: presença de um critério maior ou dois critérios menores.

 

Além dos critérios clínicos, a identificação de uma variante patogênica nos genes TSC1 ou TSC2 é, por si só, diagnóstica para o CET, mesmo na ausência das manifestações clínicas descritas.

Manifestações Neurológicas

Os sintomas neurológicos são os mais frequentes e relevantes no CET.

A epilepsia geralmente tem início precoce, muitas vezes antes dos 2 anos de idade, e pode ser farmacorresistente em muitos pacientes.

Tratamento

De modo geral, pacientes com CET costumam estar sob politerapia, com abordagens individualizadas conforme as manifestações clínicas.

As opções terapêuticas incluem:

Vigabatrina

Utilizada com boa resposta nos espasmos infantis e também de forma profilática, antes do início das crises, podendo retardar:

  • O início das crises epilépticas
  • A ocorrência de espasmos
  • A epilepsia farmacorresistente
  • A deficiência intelectual

Everolimus e Sirolimus

Podem ser utilizados como tratamento adjuvante da epilepsia, com redução das crises em torno de 40%.

Canabidiol

Como medicação coadjuvante, pode reduzir as crises em aproximadamente 47%.

Dieta cetogênica

Pode apresentar bons resultados no tratamento das epilepsias farmacorresistentes.

Estimulador do nervo vago

Pode contribuir para a redução das crises epilépticas a longo prazo.

Outras opções terapêuticas continuam sendo estudadas.

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